segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Avarias

Um domingo em casa

Pois cá estamos nós em dia (quero dizer, em noite), de jogo entre grandes. Há uma normalidade nestas coisas de jogos entre Benfica, FCP, como há por exemplo na final da taça de Portugal. Na final da taça, as reportagens para encher, andam muito a fazer a ronda da mata do Jamor. Por exemplo: se um dos finalistas é do Minho, lá descem as camionetas a Lisboa, com a malta a carregar os garrafões de vinho, os rojões e tudo o mais, que se pode fazer em casa e seja transportável (ou não). Em Lisboa vendem-se bifanas no pão, para os que não se acautelaram. As reportagens começam sempre por referir a mesa farta do piquenique. E à pergunta: quem fez a merenda, o bimbo em causa há-de responder que foi a mulher, que é muito boa (nestas coisas). É o nosso espaço Liga dos Últimos. O espaço onde arrumamos os que são muito diferentes de nós. Vamos lá arrepiar caminho que hoje não estou para grandes leituras intelectuais e isto não é o suplemento dominical do jornal “O Público”. Agora não é tempo de grandes farras debaixo de uma árvore. Está frio, e mesmo que não esteja, entrámos no Outono. Então com quem se fala? Com os vendedores de castanhas, que repetirão até ao - nosso .- desespero, que com a crise que por aí vai, não vendem nem metade do que venderam no ano passado. Sou a penúltima pessoa a poder dizer que não existe crise, mas se tivessem feito a mesma pergunta ao mesmo vendedor de castanhas, no ano passado ele teria dito exactamente a mesma coisa: “sabe isto está em crise, não vendemos nem metade do ano passado”. As entrevistas, que enchem as emissões de quando há jogo grande, repetem exactamente as realizadas noutras ocasiões em que não é necessário um grande trabalho de imaginação, para encher chouriços e ocupar tempo de antena nos noticiários. É o caso do, um de Novembro, data que celebra o dia em que os portugueses seguem para os cemitérios, em grande parte para homenagear os seus defuntos, em pequena parte para olhar para as flores que os vizinhos e amigos, dispõem nas campas e, a partir dessa observação, fazerem os habituais juízos de valor: “se visses o João e a Henriqueta; com tanto dinheiro e não são capazes de comprar umas flores em condições. Para que querem o dinheiro?”. Pois a última pessoa a poder dizer que não há crise, era uma vendedora de flores, com banca à porta de uim cemitério e que está para o feriado de Novembro, como os vendedores de castanhas para o derby. Inquirida sobre se o negócio ia bem lá repetiu a cena de crise mas acrescentou mais um pozinho, não muito vulgar nestas conversas. Qualquer coisa como: “ este ano estou a vender muito pouco. Existem aí certas pessoas que querem o meu mal”. Atendendo à data e ao local, tratou-se quase de um momento de contacto com as forças do além. Ao lado disto, as novelas de vampiros da TVI, são o que são: morangos com açúcar, interpretados por gente com os caninos salientes.